quinta-feira, 4 de março de 2010

Vitrola – Frank Sinatra

Esse é um post para um jantar harmonizado solitário. Para ter o vinho como o melhor amigo e confessar-se com ele.

Frank Sinatra Só o homem que já perdeu um grande amor, sabe a dor que isso traz. Melancolia, tristeza e abandono se misturam nas mais diversas reações, que vão do isolamento à revolta. Mas transformar isso em arte, é para poucos. No Brasil, tivemos alguns exemplos como Lupicíno Rodrigues, sobre quem nós postamos aqui. Nos EUA, um dos melhores exemplos é Frank Sinatra. Há um ditado irlandês que diz: “nunca confie num homem que não bebe”. Tenho um amigo que completa dizendo: “e nunca confie num homem que não gosta de Frank Sinatra”.

Em 1951, Sinatra casou-se com Ava Gardner, deixando sua esposa Nancy. Foi severamente criticado por colunistas como Hedda Hopper e Louella Parsons, pela igreja católica, por Holliwood e por seus fãs, ao trocar seu casamento de 12 anos e três filhos por uma femme fatale. E, na década de 50, já tinha conhecimento de seu transtorno bipolar. Em sua carreira, as coisas não estavam melhores: Sinatra viveu um período de declínio no final da década de 40.

Não é difícil entender a razão de Sinatra ter se apaixonado por Ava Gardner. Ela foi uma das grandes estrelas da sétima arte do século XX, está entre as 50 maiores lendas do cinema da lista do American Film Institute e, por sua beleza exótica e muito fotogênica, ganhou o título de o animal mais belo do mundo.

Ava Gardner

O casamento de Sinatra e Ava Gardner durou oficialmente até 1957, mas existiu de fato por apenas dois anos. Nesse período, parcialmente por causa de Ava Gardner, Sinatra viu sua carreira renascer. Em 1953 ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante por “A um passo da eternidade”. Mas foi com a separação de Ava Gardner que sua carreira musical reviveu.

Em 1955 Frank Sinatra uniu-se ao maestro, produtor e arranjador Nelson Riddle para gravar In the Wee Small Hours, seu primeiro LP de 12” completo, inspirado em sua separação de Ava. O álbum é composto por uma seleção escolhida deliberadamente e gravada em uma sequência específica, algo notável para a indústria fonográfica da época, pois os albuns de até então eram apenas compilações de sucessos, dispostos com pouco ou nenhum critério.

In the Wee Small Hours é feito de baladas, organizadas em torno do tema central de isolamento nas horas da madrugada e a dor do amor perdido. A faixa de abertura dá título ao álbum e foi especialmente escrita. Há na sequeência uma seleção de músicas arranjadas em um andamento lento e nostálgico, seja para um pequeno conjunto musical ou para orquestra de cordas.

in_the_wee_small_hours

Pratos simples, comida para as horas tristes e solitárias da noite, petiscos, tapas, pintxos, formam o cardápio desse jantar. E uma garrafa de vinho, para beber lentamente, sentindo mais que pensando. Sugiro um Salton Talento. Tem tudo a ver com esse álbum, na minha opinião.

“When your lonely heart
Has learned it's lesson
You'd be hers if only she would call
In the wee small hours of the morning
That's the time you miss her most of all”

Em sua autobiografia, Ava Gardner escreveu que, de todos os homens que já teve, Frank Sinatra foi o amor de sua vida.

ava_gardner-frank_sinatra

Obrigado Ava. Obrigado Frank.

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